sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pesquisadores promovem debate científico sobre dislexia e TDAH na FCM










qui, 12/04/2012 - 12:42




Pesquisadores nacionais e internacionais se reúnem no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp nesta quinta-feria (12), amanhã e sábado no auditório da PUC-Campinas, campus 1, para discutir as evidências científicas da dislexia e do TDAH. As queixas de dificuldades de aprendizagem são comuns na infância e adolescência e motivam grande parte dos encaminhamentos por professores aos profissionais da saúde, com objetivo de avaliação, diagnóstico e intervenção. Em 1968, a World Federation of Neurology utilizou o termo dislexia do desenvolvimento para definir um transtorno manifesto por dificuldades na aprendizagem da leitura, apesar da instrução convencional, inteligência adequada e oportunidade sociocultural.

As principais características observadas nestas crianças são: dificuldades na velocidade de nomeação de material verbal e memória fonológica de trabalho; dificuldades em provas de consciência fonológica (rima, segmentação e transposição fonêmicas); nível de leitura abaixo do esperado para idade e nível de escolaridade; escrita com trocas fonológicas e ortográficas; bom desempenho em raciocínio aritmético; nível intelectual na média ou acima da média; déficits neuropsicológicos em funções perceptuais, memória, atenção sustentada visual e funções executivas.

O primeiro relato de TDAH ocorreu no século XIX, descrito pelo médico inglês Still. O TDAH manifesta-se por alterações na atenção e no comportamento (hiperatividade e impulsividade) que não são explicadas por outros transtornos ou problemas psicossociais em crianças. De 2006 a 2009, foram encaminhadas por ano 2.300 crianças com queixas de dificuldades de aprendizagem ao laboratório de Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre) da FCM da Unicamp. Desse total, apenas 1,7% foi diagnosticada com os quadros de dislexia do desenvolvimento ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

De acordo com Sylvia Maria Ciasca, coordenadora do Disapre da FCM, há um grande número de crianças com diagnósticos falso-positivos a partir de questionários respondidos por pais e/ou professores. Segundo a neuropsicóloga, o diagnóstico deve ser feito por uma equipe interdisciplinar. Somente depois de muitas avaliações é que a equipe do Disapre chega à conclusão sobre o melhor procedimento interventivo, geralmente psicoterapêutico, medicamentoso e apoio educacional.

“O objetivo deste fórum é promover um debate científico sobre a disleixa e TDAH e sair daqui com novas ideias e fontes de pesquisa para melhorar a qualidade de vida de crianças com esses diagnósticos”, disse Sylvia, coordenadora do fórum sobre a evidências científicas em dislexia e TDAH, durante a abertura do evento na manhã desta quinta-feira.

Para o diretor da FCM, Mario José Abdalla Saad, a área da saúde é uma mescla de ciência exatas e humanas. As duas devem estar agregadas para se ter um bom atendimento à população. Porém, o que a humanidade conseguiu nos últimos 300 anos foi graças ao método científico. O método científico permitiu triplicar o tempo de vida das pessoas. A Universidade,tradicionalmente, forma pessoas por meio do método científico.

“Cabe a universidade respeitar opiniões individuais. Entretanto, existe a divulgação do método científico e o debate científico. A ciência é o caminho para o progresso. Ela tem maneiras de autocorreção. O método científico permite buscar a verdade e trabalhar com ética. caminho para o progresso, porque ela tem métodos de correção. O debate científico sobre disleixa e TDAH é muito importante para o progresso da sociedade e a compreenção das famílias e dos profissionais da saúde”, disse Saad.

O evento é organizado pelo Disapre da FCM da Unicamp com o apoio e participação de representantes das Associações Brasileiras de Psiquiatria, de Dislexia, de Neurologia e Psiquiatria Infantil, de Psicopedagogia, do Déficit de Atenção e Sociedades Brasileiras de Fonoaudiologia, de Pediatria, de Neuropsicologia e de Neurologia Infantil.

Texto: Edimilson Montalti – ARP-FCM

Fotos: Vinicius D´Ottaviano

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Faculdade de Ciências Médicas - Universidade Estadual de Campinas - Rua: Tessália Vieira de Camargo, 126
Cidade Universitária "Zeferino Vaz" - Campinas - SP - Brasil
Fonte:http://www.fcm.unicamp.br/fcm/fcm-hoje/noticias/2012/pesquisadores-promovem-debate-cientifico-sobre-dislexia-e-tdah-na-fcm


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Congresso discute formas de enfrentar o transtorno



Utilidade Pública | 13/02/2012


O Senado aprovou ano passado projeto de lei (PLS 7.081/10) do ex-senador Gerson Camata que institui na educação básica o programa de diagnóstico e tratamento do TDAH e da dislexia. Psiquiatras em geral apoiam a ideia, mas o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) apresentou voto em separado na Comissão de Educação e Cultura da Câmara alertando, com apoio de 45 entidades, para a “medicalização da educação e da sociedade”. O projeto ainda precisa passar em outras duas comissões da Câmara. Martinha, do MEC, acrescenta que o programa Saúde na Escola já desenvolve ação compartilhada entre MEC e Ministério da Saúde.

Há também projeto de lei da Câmara (PLC 118/11), tramitando no Senado, propondo tornar obrigatório exame anual de aptidão física e mental para condutores com déficit de atenção. O texto original falava especificamente em motociclistas com TDAH. A ideia é vista com ressalvas por Paulo Mattos.

— Por que então não exigir avaliação em neurocirurgião, piloto de avião, jornalista ou qualquer outra atividade que exija atenção?

Além disso, a Câmara aprovou o Requerimento de Indicação 1.154/11, do deputado Dr. Aluízio (PV-RJ), que sugere ao ministro da Saúde a criação do Programa Nacional do TDAH. Segundo Surjus, do ministério, o requerimento ainda não chegou porque segue antes para a Casa Civil, que decide se vai encaminhar ou não:

— De qualquer forma, a Política Nacional de Saúde Mental já contempla isso.

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo, discorda.

— O governo não tem programa específico para TDAH. Tira o problema da saúde para encará-lo como apenas social.



Fonte :http://www.jornaloreporter.com.br/post/714/utilidade-publica/congresso-discute-formas-de-enfrentar-o-transtorno

Posse ganha programa de apoio a alunos com dislexia



PUBLICADO EM 30/03/2012 | 05h29

De Santo Antonio de Posse



O Projeto de Lei nº 011/2012 que autoriza o Poder Executivo a instituir o “Programa de Apoio ao Aluno Portador de Distúrbios Específicos de Aprendizagem Diagnosticados como Dislexia”, de autoria do vereador Gildo Gardinalli (PR), foi aprovado por unanimidade na 58ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Santo Antonio de Posse, transformado na Lei nº 2.659.



Projeto de autoria do vereador Gildo Gardinalli foi aprovado por unanimidade

Estima-se que, no Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas têm algum tipo de necessidade especial. As necessidades especiais podem ser de diversos tipos: mental, auditiva, visual, físico, conduta ou deficiências múltiplas. Deste universo, acredita-se que, pelo menos, noventa por cento das crianças na educação básica sofram com algum tipo de dificuldade de aprendizagem relacionada à linguagem: dislexia, disgrafia e disortografia. Entre elas, a dislexia é a de maior incidência e merece toda atenção por parte dos gestores de política educacional.

A dislexia é a incapacidade parcial de a criança ler compreendendo o que se lê, apesar da inteligência normal, audição ou visão normais e de serem oriundas de lares adequados, isto é, que não passem privação de ordem doméstica ou cultural. Encontramos disléxicos em famílias ricas e pobres.

O vereador Gildo Gardinali esclarece: “Eu elaborei este projeto porque algumas pessoas me procuraram, falando a respeito do problema da dislexia, comecei a estudar a dislexia, e diante do fato desse distúrbio neurológico ser confundido com vários outros e que às vezes é tratado de forma inadequada, muitas vezes até com tratamentos com medicamentos neurológicos. Senti a necessidade de elaborar este projeto para que seja realmente feito um diagnóstico certeiro e a criança seja encaminhada para um tratamento ou atendimento correto. A partir do momento que se descobre que a criança tem dislexia, o tratamento se torna mais fácil, mais acessível, sem drogas, com tratamento psicopedagógico, facilitando assim a vida da criança e seu aprendizado. A dislexia é muito confundida, aqui no Brasil, com outros distúrbios, e muitas vezes as crianças são tratadas incorretamente”.

Como é o caso de Gustavo, filho da possense Jocimara Lolli, que reside em Hortolândia. “Eu sempre achei que meu filho tinha um pouco de dificuldade no aprendizado, percebi que ele era diferente, foi mais lento para falar e também para andar. Assim que começou a ser alfabetizado, com 7 anos, a professora percebeu que ele tinha dificuldade em acompanhar as outras crianças, ele ficava nervoso porque não conseguia aprender. A professora insistiu muito comigo que devíamos investigar se ele realmente tinha algum problema ou era só preguiça mesmo. Eu o levei a um neurologista e o médico diagnosticou a dislexia. A partir daí foi desenvolvido um novo trabalho com ele na escola, com acompanhamento diferenciado, com jogos estimulantes. E ele vai ter que ter sempre um acompanhamento diferenciado, mas vai poder se desenvolver como qualquer outra criança”, nos conta Jocimara.

Uma criança com dislexia não é portadora de deficiência nem mental, física, auditiva, visual ou múltipla. O disléxico não é uma criança de alto risco. Uma criança não é disléxica porque teve seu desenvolvimento comprometido em decorrência de fatores como gestação inadequada ou alimentação imprópria. Ser disléxico é condição humana. O disléxico pode, sim, ser um portador de alta habilidade. Daí, em geral, os disléxicos serem talentosos na arte, música, teatro, deportes, mecânica, vendas, comércio, desenho, construção e engenharia. Não se descarta ainda que venha a ser um superdotado, com uma capacidade intelectual singular, criativo, produtivo e líder. O disléxico pode, também, ser um portador de conduta típica, com síndrome e quadro de ordem psicológica, neurológica e lingüística, de modo que sua síndrome compromete a aprendizagem eficaz e eficiente de leitura e escrita, mas não chega a comprometer seus ideais, ideias, talentos e sonhos. Por isso, diagnosticar, avaliar e tratar a dislexia, conhecer seu tipo, sua natureza, é um dever do Estado e da Sociedade e um direito de todas as famílias com crianças disléxicas em idade escolar.

O “Programa de Apoio ao Aluno Portador de Distúrbios Específicos de Aprendizagem Diagnosticados como Dislexia” terá como objetivo diagnosticar, acompanhar e orientar os estudantes que sejam portadores do distúrbio e seus familiares, instituindo estratégias diferenciadas que os professores deverão adotar, voltadas especificamente aos estudantes disléxicos, cabendo às Secretarias Municipais de Saúde, de Educação e Diretoria de Promoção Social a formulação de diretrizes para viabilizar sua plena execução, criando equipes multidisciplinares com profissionais necessários à perfeita execução do trabalho de diagnóstico, acompanhamento e orientação dos alunos e seus familiares, além da capacitação permanente dos educadores; sejam da rede pública municipal ou instituições particulares de ensino, para que tenham condições de identificar os sinais da dislexia nos alunos e prestar auxílio em seu tratamento.

“Este projeto de lei vem de encontro com o problema enfrentado por muitas famílias e professores que poderá ser resolvido se houver empenho por parte dos profissionais da educação, da saúde e da promoção social para que haja trabalho em conjunto no enfrentamento desse problema”, finaliza o vereador Gildo.

Fonte:http://portal.oregional.net/?p=19701




sexta-feira, 30 de março de 2012

PSICOPEDAGOGIA HOSPITALAR

“No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra” Drummond PSICOPEDAGOGIA HOSPITALAR Se o objeto de estudo da Psicopedagogia é a aprendizagem humana e ela esta inserida em todas as atividades de nossas vidas, ela não poderá ficar fora do contexto hospitalar, pois os períodos de internação podem ser breves ou longos e, quando o paciente recebe alta, muitas vezes, precisa aprender a aprender a lidar com novas situações na vida. A Proposta da Psicopedagogia Hospitalar é Ser o interlocutor, não só de crianças mas também de todos aqueles que passam por internações, sejam elas curta, média ou de longa duração, doenças crônicas e de pacientes terminais.SOLIDARIEDADE Os psicopedagogos hospitalares, embasados na técnica e na prática, utilizam todo o seu conhecimento para criar um mundo onde as pessoas se preocupam umas com as outras. EDUCAR E CUIDAR Longos períodos de internação necessitam da intervenção do psicopedagogo, trabalhando a auto-estima e a reintegração em seu grupo social. Psicopedagogo Hospitalar É um intermediador, porque ela dá voz ao paciente, ensina, aprende, reaprende em um eterno movimento, pois viver é um aprendizado constante. Aprendizagem Se aprendizagem é mudança de comportamento, somos profissionais das mudanças e da vida.Psicopedagogo e a Instituição Hospitalar Estamos sós no começo dessa trajetória na área hospitalar, mas, com nossa dedicação, aperfeiçoamento, determinação ousadia e coragem, conseguiremos, sem dúvida, romper mais um paradigma – O Psicopedagogo na Instituição Hospitalar O FAZER DO PSICOPADAGOGO HOSPITALAR Grupos de Relacionamento Grupos de Escuta e Acolhimento Atendimento Individualizado (ao adulto e ao idoso) Grupo interdisciplinar e multidisciplinar com a equipe hospitalar Grupo: “Trabalhando A reaprender A viver” (em casos de alta) Grupos de histórias, músicas, pinturas, artes e outras atividades lúdicas que possam ser adequadas ao ambiente hospitalar. A Psicopedagogia Hospitalar Surge como uma terceira força da Psicopedagogia que se organiza a partir de várias áreas de educação e Saúde. Trabalhando com a Criança, o adolescente, o adulto e o idoso. Mas, jamais poderá ser exclusiva da Infância. Como Psicopedagogo Hospitalar É imprescindível compreender o corpo de uma estrutura hospitalar, por se tratar de uma área relativamente nova, onde a Instituição Hospitalar não saberá o que pedir ao Psicopedagogo e cabe a ele mostrar o que pode acrescentar em benefício do paciente e da Instituição.Articular... O psicopedagogo irá por em ação um questionamento e reflexão de como se adaptar a este novo ambiente, provido de regras, normas, valores e função social, as quais o mesmo deverá se conscientizar de sua identidade profissional e delimitar até onde vai a sua atuação e a do outro profissional, realizando o devido encaminhamento quando se fizer necessário.O Psicopedagogo e o Trabalho em equipe Junto a equipe multidisciplinar atuará de forma coesa e nunca isoladamente ou fragmentada, é importante que haja um espaço para que os conhecimentos de ambos profissionais envolvidos neste contexto sejam integrados a novas ideias, compartilhadas e resignificadas, conhecer o olhar de cada um contribuirá para reconhecer as dificuldades pessoais e institucionais para por em ação uma atitude sistêmica. princípios Na área humana toda atuação deve estar pautada em princípios éticos e bioéticos estabelecidos. São direitos do ser humano que, em nenhum momento podem ser transgredidos: Direito a Privacidade Direito ao Sigilo Direito ao Consentimento informado Direito à auto-estima. PROF. MSC. GLACIENE JANUÁRIO HOTTIS LYRA-2010

A importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem

Por Silvia Oliveira Disponível em http://www.abpp.com.br/artigos/62.htm. É importante ressaltar a psicopedagogia como complemento, que é a ciência nova que estuda o processo de aprendizagem e dificuldades, muito tem contribuído para explicar a causa das dificuldades de aprendizagem, pois tem como objetivo central de estudo o processo humano do conhecimento: seus padrões evolutivos normais e patologias bem como a influência (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento (Scoz, 1992; Kiquel, 1991). O psicopedagogo assume papel relevante na abordagem e solução dos problemas de aprendizagem. Não procura culpados e não age com indulgência. De acordo com Bossa (2000, p. 14), “é comum, na literatura, os professores serem acusados de si isentarem de sua culpa e responsabilizar o aluno ou sua família pelos problemas de aprendizagem”, mas há um processo a ser visto, às vezes, os métodos de ensino tem que ser mudados, o afeto, o amor, a atenção, isto tudo influi muito na questão. Nesse caso, o psicopedagogo procura avaliar a situação da forma mais eficiente e proveitosa. Em sua avaliação, no encontro inicial com o aprendente e seus familiares, que é um recurso importantíssimo, utiliza a “escuta psicopedagógica”, que o auxiliará a captar através do jogo, do silêncio, dos que possam explicar a causa de não aprender. Segundo Alícia Fernandes (1990 p. 117), a [...] intervenção psicopedagógica não si dirige ao sintoma, mas o poder para mobilizar a modalidade de aprendizagem, o sintoma cristaliza a modalidade de aprendizagem em um determinado momento, e é a partir daí que vai transformando o processo ensino aprendizagem. Portanto a psicopedagogia não lida diretamente com o problema, lida com as pessoas envolvidas. Lida com as crianças, com os familiares e com os professores, levando em conta aspectos sociais, culturais, econômicos e psicológicos. A psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o número de crianças com problemas seria bem menor. Para Bossa (2000), o psicopedagogo tem muito o que fazer na escola: Sua intervenção tem um caráter preventivo,sua atuação inclui: •orientar os pais; •auxiliar os professores e demais profissionais nas questões pedagógicas; •colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento em todos os integrantes da instituição e; •principalmente socorrer o aluno que esteja sofrendo, qualquer que seja a causa. São inúmeras as intervenções que o psicopedagogo pode ajudar os alunos quando precisam, e muitas coisas podem atrapalhar uma criança na escola, sem que o professor perceba, e é o que ocorre com as maiorias das crianças com dificuldades de aprendizagens, e às vezes por motivos tão simples de serem resolvidos. Problemas familiares, com os professores, com os colegas de turma, no conteúdo escolar, e muitos outros que acabam por tornar a escola um lugar aversivo, e o que deveria ser um lugar prazeroso. Dentro da escola, a experiência de intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores forem especialistas em suas disciplinas. Não só a sua intervenção junto ao professor é positiva, também com a participação em reuniões de pais, esclarecendo o desenvolvimento dos seus filhos, em conselhos de classe com a avaliação no processo metodológico, na escola como um todo, acompanhando e sugerindo atividades, buscando estratégias e apoio necessário para cada criança com dificuldade. Segundo Bossa (l994, p. 23) "[...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter essistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem. O psicopedagogo atinge seus objetivos quando, tem a compreensão das necessidades de aprendizagem de determinado aluno, abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. Desta forma o psicopedagogo institucional passa a tornar uma ferramenta poderosa no auxílio da aprendizagem. O aprendizado não é adquirido somente na escola, é construído pela criança em contato com o social, junto com sua família e no mundo que o cerca. A família é o primeiro vínculo com a criança e é responsável por grande parte de sua educação, e de sua aprendizagem, e por meio desta aprendizagem ela é inserida no mundo cultural, simbólico e começa a construir seus saberes. Na realidade atual, o que temos observado é que as famílias estão meio perdidas, não sabendo lidar com situações novas: pais que trabalham o dia todo fora de casa, pais que brigam o tempo todo, desempregados, usando drogas, pais analfabetos, separados e mães solteiras. Essas famílias acabam transferindo para a criança, e esta entra num processo de dificuldade, e acabam depositando toda a responsabilidade para a escola, sendo que, em decorrência disso, presenciamos gerações cada vez mais dependentes, e a escola tendo que desviar de suas devidas funções para poder suprir outras necessidades. Cabe ai o psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, por meio de uma entrevista e de uma anammese com essa família, para tomar conhecimento de informações sobre sua vida orgânica, cognitiva, social e emocional. Estar atentos no que a família pensa, seus anseios, seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento do filho é de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico. Vale lembrar o que diz Bossa (1994), sobre o diagnóstico: "O diagnóstico é um processo contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito". (BOSSA, 1994, p.74) Às vezes, quando o fracasso escolar não está associado às desordens neurológicas, a família tem grande participação nesse fracasso. Percebe-se nos problemas, lentidão de raciocínio, falta de atenção, e desinteresse. Esses aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento intelectual. A família desempenha um papel importante na condução e evolução do problema acima mencionado, muitas vezes não quer enxergar essa criança com dificuldades que muitas vezes está pedindo socorro, pedindo um abraço, um carinho, para chamar a atenção para o seu pedido, a sua carência. Esse vínculo afetivo é muito importante para o desenvolvimento da criança. Sabemos que uma criança só aprende se tem o desejo de aprender, e para isso é importante que os pais contribuem nesse processo. É cobrado da criança que esta seja bem sucedida. Porém quando este desejo não se realiza, surge a frustração e a raiva que acabam colocando a criança num estado de menos valia, e proporcionando as dificuldades de aprendizagem. A intervenção psicopedagógica se propõe a incluir os pais no processo, através de reuniões, possibilitando o acompanhamento do trabalho junto aos professores. Sendo assim os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho, opinando e participando, e isto é de suma importância. Referências ALVES, Rubem. Fomos maus alunos. 2 ed. São Paulo: Papirus, 2003. BARRY, J. Wadsworth. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget. 5 ed. São Paulo: Pioneira, 1997. BOSSA, Nádia. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994. ________________. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto Alegre: ARTMED, 2000. CURY, A. Pais Brilhantes, Professores Fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. FERNANDES, Alícia. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1990. LIBANÊO, José Carlo. Adeus Professor, adeus professora: novas exigências educacionais e docente. São Paulo: Cortez, 2002. LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994 (Coleção Magistério 2º grau). MARTA, Kohl de Oliveira. VYGOTSKY: Aprendizado e desenvolvimento num processo histórico. São Paulo: Spcione, 2004. PIAGET, Jean. Para onde vai a educação? Rio de Janeiro: Olympio / UNESCO, 1973. SCOZ, B. Psicopedagogia e Realidade Escolar. Campinas: Vozes, 1996.