terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Entrevista: Dr. Gustavo Teixeira Médico Psiquiatra Infantil

O ano letivo está começado e esse é um ano de grandes expectativas para muita gente, não é verdade? Carnaval já passou e o ano definitivamente começa. Professores, pais, alunos querem rever os amigos, conhecer gente nova, entre outros...
Ao mesmo tempo, esse é um período de grande sofrimento e que pode causar danos irreparáveis em certas pessoas. Estamos falado do aluno que sofre bullying. Conforme o Dr. Gustavo Teixeira nos disse em entrevista, seu filho poderá estar sofrendo muito nesse período, pois é um período em que a ansiedade aumenta muito e sintomas depressivos podem aparecer, por isso, aproveitamos esse momento para conversar com o Dr. Gustavo que nos deixou algumas dicas e esclareceu algumas dúvidas.

NMNL - Início de ano e casos de Bullying, infelizmente, vão se repetir. O que a escola e a família podem fazer,nesse período, para que essa situação seja ao menos amenizada?
GT - O primeiro passo é conhecer o problema. Por isso luto pela divulgação de material psicoeducativo para pais e professores. Precisamos conhecer o comportamento bullying, suas causas, características, consequencias. O segundo passo é realizar um verdadeiro casamento entre a escola e a família! Esse canal de comunicação entre escola e família deve existir sempre e será fundamental para trabalhar por um clima escolar positivo para alunos, professores, funcionários e pais de alunos!

NMNL - Como o aluno que sofre bullying se sente neste período antes de começar o ano letivo?
Dr. GT - A ansiedade aumenta muito, algumas crianças podem se mostrar resistentes para o retorno às aulas, sintomas depresivos podem aparecer também.

NMNL - Como evitar que esse jovem que sofre bullying não fique com traumas?
Dr. GT - Será necessário trabalhar para interromper essa violência! O comportamento bullying deve ser identificado e trabalhado para que não mais se repita.

NMNL - Na mídia os casos de bullying têm aparecido com mais freqüência. Tem aumentado os casos de bullying no Brasil? Existe alguma pesquisa?
Dr. GT - Não, os casos de bullying não estão aumentando. Desde a década de 1970, diversos estudos internacionais relatam a incidência do comportamento bullying em todo o mundo e existe uma flutuação normal desses indices. Acontece que hoje estamos mais atentos e mais habilidosos na identificação dos casos de bullying. Desta forma, identificamos com mais frequência.

No caso de cyberbullying, sim, existe um aumento assustador. Isso se deve ao fato que atualmente é muito fácil o acesso à câmeras de video, computador, internet. Essa nova linguagem de comunicação tem facilitado e aumentado os casos de bullying cibernético através de salas de bate papo virtual, fóruns de discussões, e-mails, videos, fotos, etc.

NMNL - O aluno que reclama para os coordenadores escolares ou para os pais que sofre bullying e, não recebe a atenção necessária, o que deve fazer?
Dr. GT - Busque ajuda e insista no diálogo com a coordenação escolar e com os pais ou responsáveis.

NMNL - Uma lei no estado americano doTenesse pretende liberar o bullying homofóbico quando a crítica for baseada em argumentos bíblicos. Como o senhor vê essa situação?
Dr. GT - Desconheço essa lei e acredito que dificilmente será oficializada. Na verdade, o governo federal dos Estados Unidos tem trabalhado muito no combate ao bullying, assim como os governos de diversos estados americanos que estão sancionando leis antibullying nesses últimos anos. Informações sobre a lei você pode ler aqui.

NMNL - Qual a sua avaliação do caso“Casey Heynes” que sofreu bullying desde os 3 anos e foi, considerado pormuitos, um herói?
Dr. GT - Foi um caso raro, em que uma vítima de bullying conseguiu "dar a volta por cima". O exemplo de Casey Heynes nos mostra que o bullying é uma violência psicológica e física com consequencias devastadoras. Saiba mais sobre o caso Heynes neste vídeo, clique aqui.

NMNL - O que amigos de jovens e crianças que sofrem bullying, mas não procuram ajuda devem fazer?
Dr. GT - A solução do problema está no diálogo com pais e escola. Dificilmente esse jovem que sofre bullying conseguirá enfrentar e vencer esse problema sozinho. A família e a escola precisam intervir juntos. Esse foi o que me levou à escrever MANUAL ANTIBULLYING (Ed. Best Seller), um guia para pais, professores e alunos com técnicas eficientes para previnir e combater essa violência!!!

NMNL - Como os pais podem perceber se seu filho é alvo de bullying?
Dr. GT - Se seu filho ou aluno apresenta algumas dessas características, isso não significaque ele esteja envolvido com o bullying, entretanto demonstra um perfil comportamental que merece atenção. Portanto, prestem atenção à essas pistas:
Apresenta poucos amigos. Passa o recreio escolar sozinho. Não possui nenhum melhor amigo. Chega em casa chorando, sem explicar o motivo. Apresenta medo de ir à escola. Chega em casa com o material escolar rasgado ou destruído. Tem o dinheiro ou outros pertences pessoais roubado repetidamente. Evita atividades escolares como grupos de estudo, passeios ou atividades esportivas. É xingado, ridicularizado ou recebe apelidos pejorativos dos colegas de sala. É intimidado, humilhado ou ameaçado por colegas de sala.
Apresenta machucados, arranhões, roupas rasgadas, manchadas de giz ou riscadas de caneta constantemente e sem uma explicação lógica para tal. É agredido fisicamente, entretanto não é capaz de se defender. Está envolvido em brigas, levando sempre a pior. É excluído das brincadeiras ou dos esportes. Normalmente é o último atleta a ser escolhido nos times da educação física. Apresenta uma queda no rendimento acadêmico. Parece estar sempre infeliz, triste e desmotivado na escola. Fica inseguro nos momentos que antecede sua ida à escola. Prefere a companhia de adultos no recreio escolar.
NMNL - A criança ou jovem que pratica o bullying para com esse comportamento depois da escola ou pode usar tais práticas na vida adulta? Já vi algumas pessoas dizerem que isso é coisa de criança. Bullying é coisa de estudante?
Dr. GT - NÃO, os estudos científicos nos mostram que o padrão de comportamento na infância, tende à perpetuar na adolescência e na idade adulta. Autores de bullying na escola, frequentemente repetem esse comportamento na faculdade e no ambiente de trabalho, sendo autores do chamado "assédio moral no trabalho".

NMNL - Como resultado das suas pesquisaso senhor desenvolveu o Programa Antibullying que contem 20 estratégias para serimplantadas nas escolas. Como tem se desenvolvido esse programa nas escolas brasileiras?
Dr. GT - Tenho recebido retornos muito positivos de professores de todo o Brasil que estão aplicando o MANUAL ANTIBULLYING (Ed. best Seller) em suas escolas, os casos de bullying estão diminuindo nessas instituições de ensino! Outro dado importante é que a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro está adotando o livro em suas mais de 1.000 escolas.

SEMPRE NA LUTA POR SAÚDE MENTAL NAS ESCOLAS!!!


Dr. Gustavo Teixeira é Médico Psiquiatra e autor do livro "Manual Antibullying para alunos, pais e professores" pela Editora Best Seller. Conheça o livro aqui.
Site Oficial: http://www.comportamentoinfantil.com/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

FIM DO ANO LETIVO, MAS NÃO DO TDAH

Para muitos pais o ano letivo se encerra e com ele todas as preocupações escolares, mesmo que por tempo determinado. Entretanto, apesar das merecidas e necessárias férias é preciso que se tenha em mente que o ano finda, mas o TDAH não. 

Uma das atitudes tomadas pelos pais no período de férias é suspender por conta própria o uso de medicamentos como a Ritalina, por considerarem que não há necessidade se a criança não está estudando. Pois bem, medicamentos devem ser tomados seguindo as orientações médicas e assim como sua suspensão. A retirada brusca pode causar problemas e alterar muito o comportamento. 

É importante desenvolver atividades que estimulem a concentração como a realização de atividades físicas. Então, ande de bicicleta com seu filho, nade, jogue bola. Movimente-se e estimule-o. 

Aproveite que as férias permite mais tempo livre dele para fazerem programas juntos no seu tempo livre. Compre jogos que possam ser usados pela família, Crie um espaço de integração. 

Na correria do dia-a-dia as vezes é muito complicado equilibrar a alimentação, desse modo aproveite as férias para tentar inserir hábitos mais saudáveis. 

Faça as consultas de rotina, aproveite para reavaliar a situação, ou seja, retorne com os profissionais que acompanham a criança, converse como foi o ano letivo e veja quais as indicações para o ano seguinte. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

TDAH: Saiba identificar se seu filho sofre dessa doença

Inquietação, questionamento excessivo, dificuldade na escola e falta de paciência podem indicar que a criança está sofrendo
Marsílea Gombata, do R7
 
 
Inquietação, questionamento excessivo, dificuldade de prestar atenção na aula, distrair-se facilmente e ficar disperso quando o professor explica a matéria. Pouca paciência para estudar, capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e dificuldade de terminá-las. São características comuns, mas que podem esconder uma criança infeliz, com problemas para lidar com as próprias tarefas e dona de um diagnóstico cada vez mais comum: o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade). Ao lado da conhecida dislexia (dificuldade na leitura e escrita), o TDAH é um dos principais transtornos ligados à aprendizagem. Presente em cerca de 5% da população, a doença é baseada em três itens principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade, e costuma ser mais evidente em meninos do que meninas, alerta a psicóloga Cleide Partel:
— Os meninos enquanto crianças são mais percebidos, já que as meninas são as mais quietinhas e podem passar despercebidas pelos professores. Na idade adulta, no entanto, a proporção é de um homem diagnosticado para cada mulher.
Semelhante à anfetamina, ritalina é prescrita sem critério, diz especialista
A dificuldade, conta a especialista, surge de atividades demandadas pela escola. Quando a criança está lendo um livro, por exemplo, consegue chegar ao final da página, mas não lembra o que leu e sempre tem de voltar ao início. Além disso, como não suporta tédio ou tarefas burocráticas e sem criatividade, quem sofre de TDAH foca a atenção somente quando gosta do assunto ou quando é desafiado. Assim, para as matérias que não tem tanto interesse terá de fazer um esforço muito maior do que os outros.
Além dos problemas na vida escolar, a vida profissional também pode acabar prejudicada, explica Cleide:
— É muito comum que seja uma pessoa extremamente impaciente e queira fazer tudo do jeito dela, no tempo dela. Então, costumam não esperar sua vez e querem impor aos outros suas próprias regras. Além disso, mal conseguem esperar o interlocutor terminar de falar e costumam agir por impulsividade, comendo e bebendo muito.
Para a pediatra Maria Aparecida Moyses, que coordena o Laboratório de Estudos sobre Aprendizagem, Desenvolvimento e Direitos do Centro de Investigações em Pediatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mais do que um diagnóstico, essas características mostram que a criança vem enfrentando sérios problemas:
— São manifestações de que algo não vai bem com essa criança e que podem esconder um problema real que não está sendo diagnosticado, como a dislexia.
TDAH X dislexia
O transtorno, no entanto, não deve ser confundido com a dislexia. Enquanto o TDAH se refere ao comportamento e tarefas executivas, a dislexia tem relação com a capacidade de leitura e escrita que interfere diretamente na aprendizagem. Normalmente, quem sofre com a doença, troca ou omite letras e números com frequência. Assim, explica o pediatra Dr. Saul Cypel, membro do Departamento Científico de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), a doença costuma ser diagnosticada quando a criança começa a aprender a ler e escrever:
— A dislexia é um processo de dificuldade severa do aprendizado da leitura, que só pode ser verificada com pelo menos dois anos de alfabetização.
Conferência adverte sobre uso indiscriminado de estimulantes por crianças e adolescentes
Pais que se veem diante de um filho diagnosticado com dislexia ou TDAH e que está tendo dificuldades para acompanhar o ritmo dos colegas podem se ver às voltas com a seguinte dúvida: é preciso uma escola especial para meu filho? Especialistas, no entanto, são categóricos ao dizer que a resposta é “não”. Eles ressaltam que a maior parte das escolas tem condições de trabalhar em conjunto com os pais e o médico que trata da criança para encontrar soluções às dificuldades cotidianas.
Sem contar que uma escola especial, ressalta Cleide, pode trazer estigmas e fazer com que a criança comece a ser vista como diferente.
Identificação
Diferentemente de muitas doenças neurológicas, o TDAH conta apenas com um questionário de 18 perguntas recomendado pela Associação Americana de Psiquiatria para ser diagnosticado. Para saber se a criança tem TDAH é preciso que os pais fiquem atentos aos seguintes pontos: se seu filho está atrapalhando a aula, se vai mal na escola, se sempre desafia ou enfrenta mais velhos e autoridades, se é uma criança difícil de lidar. Nos adultos, pode haver dificuldade de concentração em palestras, aulas ou leitura, desatenção, relutância em iniciar tarefas que exigem longo esforço mental, problemas com organização, planejamento ou mesmo memória a curto prazo (marcada pela perda ou esquecimento de objetos, nomes, prazos, datas). Além disso, pode vir associado a outras doenças como depressão, transtorno de ansiedade ou distúrbio alimentar.
Uma vez confirmada a existência da doença, no entanto, é importante recorrer a um tratamento multidisciplinar, assessorado por médicos, psicoterapia, orientação aos pais e professores. Quando há necessidade do uso de medicamento — em geral o metilfenidato, comercializado sob o nome de Ritalina —, este deve ser prescrito com bastante critério. O medicamento, alerta Maria Aparecida, é cada vez mais vendido no Brasil, que é atualmente é o segundo maior consumidor do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos:
— A ritalina age como a anfetamina e a cocaína, aumentando a dopamina (neurotransmissor do prazer) nas sinapses e diminuindo a sensibilidade.
Além disso, quando mal administrado, o remédio pode causar alucinação, depressão, convulsão, insônia, confusão mental, levar à perda de peso e atrapalhar o crescimento. A própria bula do remédio indica que ele não deve ser utilizado em crianças menores de seis anos.
Brasil é o segundo maior consumidor mundial de remédio para déficit de atenção e hiperatividade
O pediatra Dr. Cypel ressalta que o medicamento é uma opção muito criteriosa e eventual, mas que não isenta os pais de rever o processo de desenvolvimento e educação do filho.
— Os pais têm de entender que não podem fazer todos os desejos da criança. Além disso, precisam estimulá-las a conviver com frustrações e mostrar que elas têm tarefas, assim como rotina e horários.
Mas atenção: tentar impor uma lista de cobranças à criança pode apenas agravar a doença. Os pais, de acordo com Cleide, devem aprender a não criticar sempre a criança por seus erros e passar a ressaltar com mais frequência os acertos.
— Do contrário, a criança perceberá que recebe muita atenção dos pais quando faz coisas inadequadas, e isso fará seu comportamento ficar pior.
Fonte:http://noticias.r7.com/saude/tdah-saiba-identificar-se-seu-filho-sofre-dessa-doenca-23102012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

DESCOBRINDO TALENTOS




"O meu filho não obedece". "Esta menina não pára quieta". "Ele não ouve o que eu falo, está sempre voando". "A professora disse que ele não sabe matemática". "Ela não faz nada bem.

E a criança é levada ao psicólogo. E os pais querem saber como resolver o problema do filho, como fazer com que a filha melhore, qual é a mágica que mudará a forma de seu filho ou filha se comportar.

Não há mágica. O comportamento de cada um é influenciado por uma série de fatores genéticos, sociais, ambientais, para que aconteça de uma forma e não de outra. Mas, em se tratando de crianças, uma das perguntas fundamentais a serem feitas para os pais é: o que o seu filho faz bem? Qual o seu talento?

Quando uma família traz uma criança para a terapia, ela normalmente só consegue enxergar problemas pela frente. É por isso que a criança está lá. Neste momento, os pais tem dificuldades de perceber que aquela criança é mais do que o seu comportamento-problema. Ela é uma pessoa que apresenta diversos comportamentos, alguns problemáticos e outros saudáveis e é possível que a ênfase que a família está dando para alguns comportamentos seja responsável por eles existirem mais que outros.

Não é simples mudar. Mas, há formas de se amenizar os problemas ou, pelo menos, há caminhos para se começar a organizar uma nova forma da criança se comportar. E um destes caminhos é, com certeza, a busca de talentos.

Todo mundo, absolutamente todo mundo, pode aprender a fazer algo e fazer este algo muito bem. É uma questão de predisposições genéticas associadas ao exercício – prática – daquela atividade. Fazer algo bem traz reconhecimento, prazer e motiva a pessoa a fazer aquilo novamente. Tendemos a repetir o que nos faz bem.

Por isso, para se começar a cuidar de um problema de comportamento é importante se olhar para outros aspectos da vida da criança. Perceber como aquela menina que é péssima em geografia pode ser excelente imitadora e incentivá-la em atividades que exijam esta habilidade pode ser muito melhor do que colocar a criança na professora particular alegando quantas dificuldades ela tem na escola. Identificar que um garoto não é bom de esportes, mas é excelente em atividades artísticas pode ajudar os pais a mudarem o olhar, levando-os a incentivar características, comportamentos de seu filho, que poderão torná-lo muito mais feliz do que fazendo o que todo mundo faz ou o que a maioria das pessoas faz.

Não se trata de ignorar as dificuldades da criança e nem de não se arranjar formas diretas de ajudá-la a superá-las. Mas, quando uma criança encontra algo que faz bem ou algo que lhe motiva, ela tem condições de aprender a desenvolver novas habilidades - muitas delas necessárias também para a execução das atividades em que apresentava um desempenho ruim . Além disso, pode desenvolver comportamentos que lhe darão confiança de que é capaz, de que pode ter sucesso em algo.

A ênfase em competências é uma forma muito mais eficiente para ajudar uma criança que a valorização de erros ou fracassos. Perceber-se talentoso em algo pode ser uma das mágicas para tornar a vida de uma criança mais feliz, motivando-a a aprender e a seguir em frente na superação de novos desafios e obstáculos.


Dra. Lygia T. Dorigon

(Psicóloga, CRP 06/84744)

É psicóloga, analista do comportamento, graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Cursou especialização em clínica analítico-comportamental no Núcleo Paradigma. É mestre em Psicologia Experimental: análise do comportamento, também pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com trabalho na área de histórias e fundamentos epistemológicos e conceituais da análise do comportamento.
Tem experiência profissional no atendimento de crianças, adolescentes e adultos. Atua como supervisora de equipes de intervenção e de terapeutas. É psicóloga da clínica Medicina do Comportamento, sob a direção da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva.


E-mail: saopaulo@medicinadocomportamento.com.br
Fonte:http://www.medicinadocomportamento.com.br/textos_temaslivres45.php

sábado, 22 de setembro de 2012

PL sobre o tratamento e diagnóstico da dislexia e TDAH

Ter, 04 de Outubro de 2011 00:00









Mara Gabrilli tenta negociar com Governo para que PL retorne à pauta da Comissão de Educação e Cultura. Leia nota de esclarecimento da deputada.

Integrante da Comissão de Educação e Cultura e relatora do projeto de lei 7.081 de 2010, que dispõe sobre o diagnóstico e tratamento do TDAH e da dislexia, a Deputada Federal Mara Gabrilli tenta negociar com o Governo, através dos Ministérios as Saúde e da Educação, para que PL possa ser votado pela Comissão pertinente. Leia abaixo o parecer da parlamentar.

"O Projeto de Lei 7.081 de 2010, que trata do diagnóstico precoce, tratamento e atendimento educacional especializado para jovens e crianças com dislexia e TDAH, não foi vetado. Para ser vetado, ele teria que já ter sido aprovado na Câmara e no Senado e, ai, seguiria para sanção da Dilma ou veto da Dilma. O Governo, através dos Ministérios da Saúde e da Educação, vem se manifestado contrário ao projeto, mas isso não significa seu veto.
O relatório foi apresentado na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, votando pela aprovação do Substitutivo da Comissão de Seguridade Social e Família, apresentado pela Deputada Rita Camata. Vale dizer que sou favorável ao Projeto como ele está.
Na data da apresentação do relatório o deputado da base governista, Nazareno Fontelles, pediu vistas e posteiormente apresentou um voto em separado, pela rejeição do projeto. O voto do Deputado Nazareno acata os argumentos do Conselho Federal de Psicologia, que é contrário ao Projeto por acreditar, entre outros argumentos, que a dislexia e o TDAH não existem, que o projeto de Lei é fruto indireto do lobby da indústria farmaceutica e que o projeto seria um indutor da medicalização de crianças.
Certamente um fator central para o posicionamento do Deputado Nazareno (explicitado em sua fala já na semana em que a Mara apresentou seu voto) é o fato de o Projeto de Lei prever a constituição de equipes multifuncionais e outras medidas que implicariam gastos para o Poder Público. Em seu voto em separado, entretanto, não se faz referência a essas questões.
Fizemos na última semana uma reunião com representantes dos Conselhos Federais de Psicologia e de Fonoaudiologia (este último favorável ao projeto), representantes dos Ministérios da Educação e da Saúde, além dos gabinetes do Deputado Nazareno Fontelles e Waldir Maranhão.
Na reunião identificou-se alguns problemas na redação do Projeto que de fato deverão ser corrigidas, bem como alguns obstáculos conceituais que parecem ser um problema para a adesão do Governo ao projeto. Esses obstáculos podem ser transponíveis. Para tanto, estabelecemos que os dois ministérios (MEC e Saúde) irão trabalhar o texto do projeto, para apresentar suas propostas de alteração.
Neste momento estamos aguardando esse retorno dos Ministérios. Isso poderá demorar algumas semanas (talvez mais de um mês). A partir da manifestação dos dois Ministérios deveremos analisar se é possível equacionar suas demandas ao texto do Projeto, na forma de um novo Substitutivo, ou se simplesmente não há espaço para construção de um novo texto que agrade a todos. Neste último caso o projeto deverá ir a votação na Comissão da maneira como está (apenas com aquelas correções necessárias já identificadas) donde será aprovado ou rejeitado.
De toda forma, é provável que para se discutir o MÉRITO do projeto (a existência ou não dos distúrbios que ele identifica e a abordagem que ele oferece) ocorrá uma Audiência Pública da Comissão de Educação. Ainda não há qualquer previsão para quando essa audiência poderá ocorrer.
De toda forma, eu, como relatora do projeto na Comissão de Educação e Cultura - não pretende desconfigurar o projeto com alterações no texto que o torne inócuo.

Apenas após as negociações com o Governo é que o projeto retornará para a pauta da Comissão de Educação e Cultura, oportunidade em que será deliberado pela aprovação ou rejeição".
Mara Gabrilli
Deputada Federal PSDB/SP


Importante:

É indispensável que a sociedade civil organizada envie emails aos Srs. e Sras. deputados membros da Comissão de Educação, pedindo a aprovação nos termos do voto da deputada Mara Gabrilli, e contrariamente ao voto do Deputado Nazareno.

A lista dos membros está disponível aqui
Você também pode conferir a redação do projeto e acompanhar sua tramitação, clique aqui

Deputada Mara protocola Relatório de PL e participa de Congresso Internacional e IV Encuentro Latinoamericano del TDAH no Rio de Janeiro
A deputada Mara Gabrilli marcou presença no V Congresso Internacional da ABDA e IV Encuentro Latinoamericano del TDAH que aconteceram juntos nos dias 4 e 5 de agosto, no Rio de Janeiro. No evento organizado pela Associação Brasileira de Déficit de Atenção, em parceria com a Liga Latinoamericana del TDAH, a deputada falou de seu envolvimento com a melhoria da educação e sobre o relatório que apresentou, em 3 de agosto, sobre o PL que dispõe sobre o diagnóstico e tratamento da dislexia e do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade na educação básica.
"As pessoas que têm uma deficiência lêem de forma diferente, se comunicam de forma diferente, andam de forma diferente. Essa é a riqueza da diferença que pode ser transformada em potencialidade e em habilidades", afirmou a deputada Mara Gabrilli. “O TDAH por não ser visível como é a minha deficiência pode ser extremamente excludente. Além disso, temos ampla legislação que garante os direitos das pessoas com deficiência, mas as crianças e jovens com TDAH ou dislexia ficam mais desamparadas.”

“A Educação é, entre todas as políticas públicas de inclusão social, a que tem maior poder de transformação e garante avanço do desenvolvimento humano, social e econômico da sociedade”, afirmou Mara Gabrilli. “Por isso, instituir uma política de atenção ao TDAH e a dislexia nas escolas é fundamental já que o diagnóstico precoce permite uma maior integração com colegas e professores.”

O Relatório da deputada para o PL 7.081 de 2010, que dispõe sobre o diagnóstico e tratamento da dislexia e do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade na educação básica, contou com a colaboração de consultores da Câmara, especialistas e representantes de entidades interessadas, como a ABDA. “Equipes multidisciplinares composta por psicólogos, psicopedagogos, médicos e fonoaudiólogos farão o diagnóstico. Queremos que as escolas assegurem aos alunos com dislexia e TDAH acesso aos recursos didáticos adequados ao desenvolvimento de sua aprendizagem. Ao mesmo tempo, queremos garantir o apoio aos professores capacitando-os sobre como identificar e abordar nas aulas os alunos que tenham os distúrbios”, explicou Mara Gabrilli.

Acompanhe aqui

O fórum TDAH, Legislação e Inclusão, que teve o intuito de debater leis específicas para inclusão que assegurem os direitos dos portadores de TDAH, foi moderado pela Presidente da ABDA, Iane Kestelman, e contou com a presença, além da deputada Mara Gabrilli, do deputado federal Dr. Aluízio, do desembargador Antonio Carlos Malheiros, Coordenador da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, e do presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva. O Congresso teve como tema “TDAH um compromisso de todos” e reuniu palestrantes nacionais e internacionais nos mais variados temas para médicos, psicólogos, profissionais de educação e saúde e portadores de TDAH e seus familiares.
Fonte:http://maragabrilli.com.br/federal/destaque/1390-tdah-e-dislexia

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Michael Phelps, portador de TDAH, é o maior ganhador de medalhas das Olimpíadas.

Sex, 03 de Agosto de 2012 18:12 Escrito por ABDA
Michael Phelps, ao conquistar a sua 19ª medalha olímpica nos jogos de Londres 2012, tornou-se o maior atleta de todos os tempos nos Jogos Olímpicos, batendo o recorde anterior que pertencia a Larissa Latynina, ginasta russa, que detinha um total de 18 medalhas.

mp1
Muito antes de se tornar um herói americano, Michael Phelps experimentou uma vida sob uma perspectiva muito mais sofrida. Ele foi alvo de desprezo, rejeição e, pior, de bullying.

Já nos tempos de ensino médio em Baltimore, o jovem Phelps era um menino hiperativo, que sofria com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e tinha orelhas de abano. Ele foi um alvo para bullying em uma idade, que para sua mãe, era extremamente difícil.

Sua mãe, Debbie, diz que Phelps usava boné o tempo inteiro, em parte para tentar esconder o tamanho de suas orelhas. Não adiantava. Os outros meninos esmagavam suas orelhas e debochavam dele.

Aos 9 anos, Michael foi diagnosticado com déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma condição mental que afeta cerca de quatro milhões de crianças e adolescentes nos Estados Unidos.

Com a ajuda de tratamento - terapia medicamentosa e psicoterapia - com o apoio de sua mãe, Michael foi capaz de canalizar suas energias para a natação, tornando-se o mais jovem titular do sexo masculino nos esportes modernos, aos 15 anos de idade.

Durante as competições, Michael é a personificação de precisão, técnica e disciplina na piscina, onde quebra recordes mundiais. Mas quando criança, Michael sofreu com a falta de concentração, que afetou o seu desempenho escolar e foi motivo de queixas e inúmeras reclamações dos professores.

mp2

Debbie Phelps, mãe de Michael Phelps, é atualmente ativista na comunidade ADHD MOMS, Mães de Filhos com TDAH , uma comunidade online e que oferece suporte e recursos para mães de crianças com TDAH. http://addmoms.com/

A orgulhosa mãe de Michael Phelps recentemente conversou sobre os desafios que ela enfrentou ao levantar seu filho famoso até o pódio como o maior atleta da história das Olimpíadas.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Tratamento com células-tronco abre caminho para a cura da surdez

AUDIÇÃO - 12/09/2012 19h06- Atualizado em 12/09/2012 19h06

Pesquisa britânica conseguiu transformar células-tronco em células auditivas. O experimento foi capaz de recuperar significativamente a audição de roedores com esta deficiência

REDAÇÃO ÉPOCA COM AGÊNCIA EFEOuvida (Foto: SXC)

Cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, desenvolveram um tratamento baseado na aplicação de células-tronco para combater a surdez. O estudo, publicado no periódico científico Nature, abre um importante caminho para futuros tratamentos da deficiência.
Com o experimento, já é possível afirmar teoricamente que "as células embrionárias podem ser empregadas para reparar um ouvido danificado", afirmou o pesquisador argentino Marcelo Rivolta, que coordenou o estudo.
A pesquisa consistiu em induzir células-tronco embrionárias humanas a se transformarem em células auditivas. Esta primeira descoberta, segundo Rivolta, é "muito positiva", pois se trata de "uma fonte praticamente inesgotável para produzir células do ouvido sob demanda".
Numa segunda fase, o estudo procurou comprovar se as células do ouvido funcionariam quando fossem transplantadas para um animal com problemas auditivos. Os cientistas utilizaram como cobaia um gerbilo, uma espécie de roedor com um aparelho auditivo mais parecido com o dos humanos do que os ratos.
Quando os pesquisadores transplantaram as células progenitoras para os animais que sofreram lesões no nervo auditivo, elas substituíram os neurônios perdidos, reconectaram-se e mostraram uma recuperação funcional significativa.
O estudo ressalta que essa habilidade para restaurar a funcionalidade neuronal auditiva poderia abrir as portas para um futuro tratamento para a surdez baseado em células-tronco. Para Rivolta, a técnica poderia ter um potencial uso terapêutico em um amplo número de pacientes se for empregada em combinação com os implantes cocleares (dispositivo eletrônico que ajuda a restabelecer a audição).
Fonte:http://revistaepoca.globo.com/Saude-e-bem-estar/noticia/2012/09/tratamento-com-celulas-tronco-abre-caminho-para-cura-da-surdez.html

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Prevenção de distúrbio ajuda na alfabetização matemática, diz britânica

 

                 

Para Karima Esmail, discalculia deve ser diagnosticada na infância.
Distúrbio neurológico prejudica a aprendizado em matemática.

Ana Carolina MorenoDo G1, em São Paulo31/08/2012 11h26


 
 
A britânica Karime Esmail estuda a discalculia (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)
A britânica Karima Esmail estuda a discalculia
(Foto: Ana Carolina Moreno/G1)
Não bastassem as dificuldades já conhecidas dos estudantes em aprender matemática - no Brasil estudos mostram que 57% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental não sabem o esperado para a idade deles - um distúrbio neurológico dificulta ainda mais o aprendizado desta disciplina: a discalculia. Especialista no assunto, a pesquisadora britânica Karima Esmail destaca que a falta de diagnóstico das dificuldades específicas de aprendizagem em matemática pode trazer prejuízos em longo prazo aos alunos.
Tão importante quanto aprender a ler e escrever no idioma nativo, a alfabetização matemática pode influir na autoestima da criança e ajudá-la no desenvolvimento escolar e na integração social, diz Karima. Professora universitária formada em engenharia química, começou a pesquisar as dificuldades de aprendizagem ao se envolver nos estudos dos próprios filhos.
"Sou uma mãe ambiciosa", explicou ela, que ajudou sua filha a se preparar para um exame de avaliação aplicado em todas as crianças do país na idade de 7 anos. "Muitas vezes os professores não têm como pegar exatamente onde o aluno tem dificuldade", afirmou. "Quando se descobre em que área ele vai pior, espera-se que ele recupere o atraso de vários anos."
Ela estima que, no Reino Unido, em média duas crianças por sala de aula sofram de dificuldades agudas em matemática. Na população total do país, 6% teriam um distúrbio conhecido como discalculia, que pode ser adquirida ou relacionada ao desenvolvimento. Quem sofre do distúrbio tem, entre outros, problemas com a conservação da memória matemática, reconhecimento dos valores das moedas e a diferenciação entre significados e medidas.
Um exemplo a comparação entre um bloco grande com o dígito 2 escrito ao lado de outro pequeno com o dígito 8 escrito. Ao ser perguntado sobre qual número é maior, quem tem esse sintoma vai apontar para o 2. Ao todo, a pesquisadora identificou 27 sintomas de dificuldades na aprendizagem, incluindo a ansiedade que faz com que o aluno tenha pouca confiança em si.
Exercício de software para ajudar crianças com dificuldades (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)
Exercício de software para ajudar crianças com dificuldades (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)
Ela alerta, porém, que a dificuldade pode ter diversas causas e não existe tratamento ou remédio, principalmente no caso de crianças. "Mas existem medidas preventivas para estimular a aprendizagem", afirma Karime. Na discalculia, o lado do cérebro responsável pelos códigos numéricos pode ter menos células e fazer menos conexões. Mas, segundo Karima, muitos pesquisadores têm estudado como o desenvolvimento dos neurônios é grande durante os seis primeiros anos de vida, e continua até os 14, dependendo das atividades que o estimulem, e como o cérebro aprende matemática.
Tecnologias aplicadas na sala de aula podem ajudar a contornar as dificuldades dos estudantes com desempenho abaixo da média. Karima lançou, em 2008, o programa Dynamo Math, que auxilia professores com planos de aula, jogos interativos e exercícios de reforço e avaliação abordando módulos específicos dos conteúdos mais básicos do currículo escolar britânico. Com 240 módulos de aulas individuais com 15 minutos de duração, o programa, em fase de tradução para o português, pode ser usado em crianças nos primeiros anos do ensino básico, inclusive alunos com necessidades especiais como o autismo.
Para ela, o esforço de diagnosticar e avaliar casos de dificuldade de aprendizagem deve ser conjunto entre pais e professores, e a intervenção deve ser individualizada. "É preciso tentar de todas as formas acender as conexões neurais. Todas as crianças devem saber somar. A questão é identificar as dificuldades e enfrentar o problema para cortá-lo na raiz", afirma Karima. A pesquisadora está no Brasil a convite do Instituto ABCD e do Instituto Cefac. Ela deu uma palestra na quinta-feira (30) para professores e gestores escolares no Cefac, e participará neste sábado (1º) do Congresso Internacional da Saúde da Criança e o Adolescente, em São Paulo.
Fonte:http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2012/08/prevencao-de-disturbio-ajuda-na-alfabetizacao-matematica-diz-britanica.html

domingo, 26 de agosto de 2012

Ministério da Educação não recomenda a aprovação automática

21/07/2012 06h10- Atualizado em 21/07/2012 06h15

Secretário de Educação Básica ressalta a importância da progressão continuada, mas isso não significa passar de ano direto sem avaliação

 
Embora as escolas públicas tenham autonomia em relação à proposta pedagógica, o Ministério da Educação (MEC) orienta que os alunos não sejam reprovados durante os três primeiros anos do Ensino Fundamental, o chamado ciclo de alfabetização. "Mas a não reprovação durante o ciclo básico não deve ser confundida com aprovação automática dos alunos", explica o professor Cesar Callegari, secretário de Educação Básica e integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE).
Cesar Callegari - CNE (Foto: Gilmar Guedes - Divulgação)
Secretário de Educação Básica Cesar Callegari
(Foto: Gilmar Guedes / Divulgação)
“Existe recomendação expressa do MEC e dos conselhos de educação para que não se adote a aprovação automática, que é uma distorção da ideia de progressão continuada. Tivemos notícias que alguns sistemas de ensino se aproveitaram dessa distorção para desovar alguns bolsões de repetentes. Combatemos a ideia da aprovação automática porque ela é um descompromisso efetivo com a aprendizagem, eximindo o aluno e o professor da responsabilidade. Esse sistema não avalia, não orienta e não cobra. Na progressão continuada, a criança é avaliada de forma permanente e formativa”, explica o professor.
Os índices de reprovação no Ensino Fundamental caíram de 10,3% para 9,6%, entre 2010 e 2011, mas a taxa de reprovação no Ensino Médio voltou a subir no ano passado e bateu recorde, atingindo 13,1%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) em maio de 2012. A professora Rose Neubauer, ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo e doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), aposta na educação integral como alternativa para ajudar os alunos.
“Em outros países os alunos ficam oito horas na escola e podem fazer aula de reforço. A Educação Básica brasileira ainda não leva a sério as medidas de recuperação. É melhor a criança ir para a escola fazer aula de recuperação do que ser taxada de fracassada. Temos um histórico de acreditar em métodos milagrosos para resolver os problemas. Não existe mágica, a criança precisa aprender, tem capacidade para isso e professores capacitados devem ajudá-la”, ressalta.
Professora Clelia Brandão Lei da Música nas escolas (Foto: Divulgação)
Professora Clélia Brandão, do curso de Pedagogia
da PUC-GO (Foto: Divulgação)
De acordo com a professora Clélia Brandão, que dá aula no curso de Pedagogia na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC - GO) e é ex-integrante do CNE, a escola brasileira precisa se renovar.
“As instituições não estão preparadas para receber as classes populares, ainda são muito elitizadas. Hoje o sistema escolar inclui, mas, de que forma ele faz isso? A ideia de que todo mundo aprende a mesma coisa ao mesmo tempo já está ultrapassada. A progressão continuada pressupõe uma avaliação contínua que não tem nada a ver com aprovação automática. É preciso planejamento para adotar os ciclos de aprendizagem, pois eles mudam a forma de ensinar e avaliar. No sistema de ciclos, o professor tem mais tempo de conhecer o aluno e entender suas necessidades, por isso, é mais recomendado por especialistas”, completa Clélia.http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2012/07/ministerio-da-educacao-nao-recomenda-aprovacao-automatica.html

Dificuldade de aprendizagem pode ser um sinal de problemas de saúde

21/07/2012 06h11- Atualizado em 21/07/2012 06h17

Distúrbios de visão, audição e desnutrição afetam o desempenho escolar

 
Maria de Lourdes Cysneiros Professora (Foto: Divulgação)
Psicopedagoga Maria de Lourdes Morais
(Foto: Divulgação)
Crianças são curiosas e gostam de aprender coisas novas, porém, o prazer das descobertas pode ser abalado por deficiências visuais e auditivas, que muitas vezes pais e professores nem sabem que existem. A dificuldade de aprendizagem pode ser um sintoma de que algo não vai bem com a saúde, conforme explica a psicopedagoga Maria de Lourdes Cysneiros de Morais.

“Existem vários fatores intervenientes que podem afetar o processo ensino-aprendizagem, entre eles as causas orgânicas, como distúrbios de visão e audição. Os pais devem procurar ajuda especializada e levar a criança para ser atendida por uma equipe multidisciplinar, pois os familiares nem sempre percebem os problemas latentes, só os emergentes, ou seja, sabem que o filho vai mal na escola, mas não que ele pode ter algum problema de saúde”, ressalta a especialista, que tem mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atualmente é tutora do curso de especialização em Educação a Distância do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) do Ceará.

A escola também desempenha um papel importante na detecção de possíveis problemas de saúde que afetam o aprendizado da criança. “Os professores devem ficar atentos e investigar as causas de forma ampla, orientando os pais para que encaminhem os alunos para atendimento especializado”, diz Maria de Lourdes.

De acordo com a especialista, é possível identificar se a criança apresenta algum problema de visão das seguintes maneiras: pelo modo de agir (ela esfrega os olhos, tem sensibilidade à luz, pisca excessivamente, aperta os olhos...); pela queixa (a criança reclama que não enxerga bem, tem visão embaralhada, tonturas, dores de cabeça, náuseas...); pela observação (ela tem os olhos inflamados, vermelhos, lacrimejantes, estrabismo, terçóis...); e durante a leitura e a escrita (a criança segura o livro muito perto, perde o lugar da página ou para depois de certos períodos de leitura). “Os distúrbios mais comuns são miopia, hipermetropia, astigmatismo, estrabismo e daltonismo”, explica a psicopedagoga.

Já entre os sinais que podem indicar que a criança tem distúrbios auditivos estão ditados com muitos erros; ausência de reação a sons pouco intensos, fora do campo visual; pedidos para que se repitam palavras e instruções; irritabilidade; e dores de ouvido. “Percebemos nos jovens com problemas de audição um comportamento semelhante ao dos idosos que não ouvem bem. Eles parecem desligados, sem perceber o que está acontecendo ao redor”, diz Maria de Lourdes.

A alimentação também contribui para o bom desempenho escolar, por isso, a criança deve ser bem nutrida antes mesmo do nascimento, ressalta a especialista. “A gestante tem que fazer um acompanhamento nutricional, porque o déficit da mãe afeta o desenvolvimento do bebê. No pré-natal as gestantes já são orientadas para que tomem vitaminas, se necessário, e comam alimentos saudáveis”, explica.

Alunos com dificuldade de aprendizagem podem sofrer preconceito na sala e mesmo dentro de casa, mas o que eles precisam é de apoio e tratamento, como alerta a psicopedagoga por experiência própria.

“Meu filho tinha transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), mas nem sabíamos o que era isso há 35 anos. Fui chamada pela escola, por conta do comportamento indisciplinado dele, que se recusava a fazer os ditados, trocava letras e não parava quieto. Quando fizemos uma consulta com um neuropediatra, descobrimos o problema. Ele não queria fazer ditados porque tinha vergonha de que os colegas vissem que escrevia errado. Na época tivemos um grande apoio do colégio, que tinha um método alternativo de estudo: as crianças deviam escrever uma redação por dia, mas não havia a tradicional correção em vermelho que assustava os alunos. Assim meu filho se sentia à vontade para errar. Hoje ele é um homem bem-sucedido, casado e com uma filha. Pais e professores devem ficar sempre atentos para ajudar a criança, sem julgá-la, quando problemas como estes acontecem”, completa.
Fonte :http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2012/07/dificuldade-de-aprendizagem-pode-ser-um-sinal-de-problemas-de-saude.html

Déficit de aprendizagem e notas ruins podem indicar problemas de saúde

19/11/2011 06h07- Atualizado em 19/11/2011 06h07

 Pais devem ficar sempre atentos e levar as crianças ao médico periodicamente

 
Rosamari Mello (Foto: Divulgação )
Rosamari Mello, psicóloga e integrante da ABD
(Foto: Divulgação )


Crianças que têm dificuldade para ler e escrever muitas vezes são taxadas de preguiçosas e sofrem duplamente, em casa e na escola. O que muitos pais e professores não sabem é que elas podem sofrer de dislexia, um transtorno neurofuncional que afeta a capacidade de decodificar informações.

“O cérebro do disléxico funciona de forma diferente, como se a mensagem demorasse mais para ser compreendida. A criança com dislexia não é deficiente, ela é diferente. Não existe remédio para o problema, só treino para que as informações sejam decodificadas mais rapidamente. Nós costumamos enfatizar que dislexia não é doença, é somente um distúrbio de leitura”, explica Rosemari Marquetti de Mello, psicóloga e membro da diretoria da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

De acordo com Rosemari, o ideal é realizar o diagnóstico o mais cedo possível, não só da dislexia, mas de outros problemas que podem afetar o aprendizado, como transtornos oculares. Assim, ameniza-se ou mesmo evita-se um comprometimento social e emocional do indivíduo ao longo da vida.

“Às vezes a criança não aprende porque não consegue enxergar direito ou ouvir o que o professor fala. Por isso, os pais devem ficar atentos a qualquer sinal que possa prejudicar o aprendizado. Se a criança não tem o desempenho escolar adequado para a idade, é importante que ela seja avaliada por uma equipe multidisciplinar, composta por oftalmologista, fonoaudiólogo, otorrinolaringologista, psicólogo/neuropsicólogo, psicopedagogo... Mesmo com a correria da vida moderna, os pais ou os responsáveis pelas crianças não devem descuidar da saúde delas”, ressalta.

No que diz respeito à dislexia, apesar de não ter cura, a boa notícia é que portadores do transtorno podem levar uma vida normal, caso tenham o acompanhamento adequado, o que infelizmente nem sempre acontece.

“Os professores não estão preparados para lidar com crianças com dislexia. Na ABD nós oferecemos cursos para os profissionais interessados em aprender como ensinar para alunos disléxicos. Pelo menos, notamos que existem alguns professores engajados. Se eles notarem alguma diferença no desempenho do aluno, devem encaminhá-lo para avaliação de um grupo multidisciplinar de profissionais. Sendo constatada a dislexia, o professor deve dar mais atenção para a criança, colocá-la mais para frente na sala de aula e avaliá-la de forma diferente, com outros trabalhos, não só provas escritas. O sucesso da aprendizagem do aluno com dislexia depende da ação conjunta da família, escola e intervenção com profissional especializado”, ressalta a psicóloga.

Segundo Rosamari, já existem instituições que colocam pessoas para ler as provas para os alunos com dislexia, como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “A iniciativa é importante, porque ajuda a manter o aluno na escola. Existe um aspecto social forte no que diz respeito à dislexia. Quando a criança não é aceita na escola, ela vai para a rua e fica mais vulnerável, podendo até cair na marginalidade. Muitas pessoas com dislexia têm uma inteligência acima da média, vide cientistas como Einstein e Thomas Edison. Sem orientação, a inteligência pode ser usada de forma negativa”, diz a especialista.

A veterinária Heloisa Pappalardo, mãe de Bernardo, 12 anos, até hoje sente remorsos quando lembra como brigava com o menino porque as notas dele na escola eram ruins. Depois de muito choro e castigos, a vida da família mudou quando Bernardo recebeu o diagnóstico de dislexia, aos 9 anos.

“Nós já percebíamos que Bernardo era diferente dos outros alunos; ele não entendia o que lia. A gota d'água foi quando pediram para ele fazer uma redação sobre a festa de aniversário da cidade de São Paulo, e ele escreveu sobre sua própria festa de aniversário. Quando descobrimos que era dislexia, foi um alívio para todos. O colégio nos apoia, além da prova escrita, ele tem prova oral. É impressionante, porque ele entende toda a prova quando alguém lê. Os colegas de turma tentam ajudar, todo mundo sabe que ele tem dificuldade, e Bernardo hoje não tem vergonha de falar sobre a dislexia. Participo de reuniões de pais na ABD e vemos que nosso filho tem sorte, pois é comum que alunos com dislexia sejam discriminados. Procuro me informar cada dia mais para poder ajudá-lo”, conta Heloisa.

De acordo com Rosamari, a ABD foi criada há 27 anos por Jorge Simeira Jocob, que tinha um filho com dislexia. Após recorrer à British Dyslexia Association, na Inglaterra, ele finalmente encontrou as respostas para as dificuldades que a criança vinha apresentando na escola. De volta ao Brasil, sob orientação da entidade inglesa, fundou a ABD, inicialmente apenas um ponto de estudos, encontros e trocas de informações. Em 1988, iniciavam-se as atividades do Centro de Avaliação e Encaminhamento (CAE), atendendo aos pedidos de pais e profissionais em busca de respostas e orientações mais concretas.

“Hoje nossa equipe conta com 20 profissionais, que fazem diagnósticos e ministram cursos. Como não temos verba, cobramos pelos serviços, mas 30% das pessoas que nos procuram recebem o diagnóstico de graça. Fazemos cerca de 90 diagnósticos por mês e existe uma fila de espera de seis meses para o atendimento”, completa.

Saiba mais sobre a ABD no site: http://www.dislexia.org.br/
Fonte:http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2011/11/deficit-de-aprendizagem-e-notas-ruins-podem-indicar-problemas-de-saude.html

Comissão aprova projeto que beneficia aluno com distúrbio

22/08/2012 12:24

 


Dr. Aluizio
Arquivo/ Leonardo Prado
Dr. Aluizio: a constituição estabelece igualdade de condições de acesso e permanência na escola.
A Comissão de Seguridade Social aprovou nesta quarta-feira (22) o Projeto de Lei 909/11, do deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), que aperfeiçoa a política educacional brasileira dos sistemas públicos de ensino para assegurar a permanência e o sucesso escolar de alunos com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem.
O relator do projeto, deputado Dr. Aluizio (PV-RJ), apresentou parecer pela aprovação da matéria. Segundo ele, “a proposta pode contribuir efetivamente para o processo de inclusão social das crianças e adolescentes com distúrbios e deficiências de aprendizagem”.
Para o parlamentar, a Constituição Federal defende a quebra das desigualdades de tratamento, quando estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante, como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado.
A proposta prevê oito ações a serem cumpridas pelo Poder Público. São elas:
– planejamento para o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno, levando em conta as necessidades educacionais especiais de cada um;
– formação continuada de professores para identificação precoce e desenvolvimento de pedagogia especializada para crianças e adolescentes com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem;
– difusão entre todos os profissionais e áreas da educação de conhecimentos sobre os problemas de aprendizagem;
– desenvolvimento de diagnósticos;
– conscientização da necessidade de combate contínuo à exclusão ou estigmatização dos alunos com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem;
– abordagem sobre o papel e a influência da família e da sociedade em relação às dificuldades;
– envolvimento dos familiares no processo de atendimento das necessidades específicas;
– ampliação do atendimento especializado disponível para contemplar os casos de distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem.
Pela proposta, as despesas com a execução da lei, caso aprovada, correrão por conta de dotações orçamentárias próprias.
Distúrbios
As características do distúrbio de aprendizagem incluem deficit de atenção, falhas no desenvolvimento e nas estratégias cognitivas para a aprendizagem, dificuldades motoras, problemas no processamento de informações, dificuldade na linguagem oral e escrita, dificuldade na leitura e em raciocínio matemático e comportamento social inapropriado.
Em relação à dificuldade de aprendizagem, registram-se desordens na apreensão de conhecimento de maneira geral. Já os transtornos se caracterizam pela alteração das modalidades habituais de aprendizado desde as primeiras etapas do desenvolvimento.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Da Redação/MW

Fonte:A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura '

sexta-feira, 6 de julho de 2012

MEC publica regras de programa nacional para alfabetizar crianças até os 8 anos

05/07/2012 - 17h13


Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Ministério da Educação (MEC) publicou hoje (5) portaria no Diário Oficial da União estabelecendo as regras do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). O programa que será lançado em breve tem como objetivo garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade. Redes municipais e estaduais terão que aderir ao programa para poder receber recursos e o apoio técnico do MEC.
Entre as ações previstas no programa estão a capacitação dos professores alfabetizadores, o pagamento de bolsas aos docentes e a distribuição de materiais didáticos específicos para alfabetização. Outra medida será a criação de uma prova que será aplicada a todos os alunos do 3º ano do ensino fundamental para medir o nível de alfabetização.
Até hoje o país não tinha um exame oficial para medir se as crianças estavam sendo alfabetizadas ou não na idade correta. Iniciativa semelhante já foi feita pelo Movimento Todos pela Educação que, em 2011, aplicou a primeira edição da Prova ABC.Em caráter amostral, o exame apontou que mais de 40% dos alunos que concluíram o 3° ano do ensino fundamental não tinham a capacidade de leitura esperada para esse nível de ensino.
As duas avaliações aplicadas atualmente pelo MEC aos alunos do ensino fundamental não aferiam essa informação. A Prova Brasil tem como público-alvo os alunos do 5º ano do ensino fundamental. Já a Provinha Brasil, aplicada no 2º ano, era uma ferramenta de uso interno das escolas para que cada professor pudesse acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Com o Pnaic, as escolas deverão informar ao MEC os resultados da Provinha a partir de um sistema que será desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Edição: Carolina Pimentel

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-07-05/mec-publica-regras-de-programa-nacional-para-alfabetizar-criancas-ate-os-8-anos#.T_cK5itEP5I.facebook

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade: Como trabalhar em sala de aula


1.1 – Conhecendo o Transtorno

Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio apresentado pela criança identificado como uma linguagem corporal diferente e um comportamento inadequado.

Algumas características são: a desatenção, agitação, excesso de atividade, emotividade, impulsividade e baixo limiar de frustração que afetam a integração da criança com todo o seu mundo: em casa, na escola e na comunidade em geral (Goldstein, 1994). É um distúrbio de interação, sendo que seu diagnóstico é difícil e complexo.

Pelo lado científico, o TDAH tem maior probabilidade de desenvolverem-se nos meninos, pois eles representam maiores níveis de atividade, sendo representados em torno de 90%. No entanto, meninos e meninas podem apresentar problemas iguais como resultados de hiperatividade.

Dois tipos de hiperatividade são encontrados nas crianças;

Desatenta agitada e não impulsiva
Desatenta agitada e impulsiva
Uma pesquisa realizada por Goldstein,(1994) conclui-se que aproximadamente 20 a 30% das crianças com TDAH podem ter problemas de desatenção sem problemas significativos de excesso de atividade ou impulsividade, ainda, tais crianças têm maior probabilidade de desenvolver depressão de ansiedade, de comportamento perturbador e um desempenho escolar mais fraco tendo maior dificuldade de aprendizagem.

O diagnóstico não é feito apenas por um questionário e sim por vários testes e por etapas levando o profissional capacitado a chegar à conclusão se a criança é hiperativa.

Devem-se pesquisar as causas específicas do TDAH podendo ser: hipertireoidismo oxiurose (verminose), apnéia do sono (suspensão de respiração), anemia por falta de ferro, efeitos colaterais de medicamentos e drogas antialérgicas. Lembrando que a maioria das crianças com esse transtorno não apresentam esses problemas .

Para a apresentação de um diagnostico é preciso à coleta e observação de oito tipos de informação, sendo eles:

• Histórico - é um relato de desenvolvimento da criança e da própria família, incluindo métodos usados para impor disciplina, sinais precoces de temperamento difícil, lembranças dos pais sobre acontecimentos da vida da criança. Nesta etapa se enquadram principalmente as crianças na faixa etária dos três anos. No entanto é importante ressaltar que não se pode classificar a criança como hiperativa apenas por esse fator.

• Inteligência - Goldstein (1994), coloca que inteligência seja o conjunto de aptidões e habilidades que predizem até que ponto um indivíduo pode atuar bem em várias situações(pag.42). Crianças com inteligência abaixo da média ficam provavelmente mais frustradas pelas exigências cada vez maiores impostas pela escola e pela vida. Daí uma maior probabilidade de apresentarem problemas de hiperatividade, como resultado de uma frustração e não de uma dificuldade temperamental.

• Personalidade e desempenho emocional – uma avaliação completa da hiperatividade precisa conter dados sobre o funcionamento emocional da criança e sua personalidade atual. Algumas crianças hiperativas são conscientes de seu problema, porém não todas. Nesse caso, a avaliação se utiliza uma série de questionários padronizados que avalia depressão, ansiedade e personalidade. As crianças respondem a tal questionário e suas respostas são comparadas com as de crianças normais, sendo que essa avaliação inclui uma entrevista com a criança.

• Desempenhos escolares- cerca de 20 a 30% das crianças hiperativas apresentam alguma deficiência em habilidades específicas, que interferem na sua capacidade de aprender, por isso, elas necessitam de uma educação direita e especial. Um dado importante ressaltado pelo autor é de que bem provavelmente tratamentos para a hiperatividade não têm muito efeito sobre aquilo que tais crianças aprendem.

• Amigos - A avaliação dos amigos e das capacidades sociais da criança é, geralmente, obtida por meio de entrevistas com pais e professores,questionários, e uma entrevista com a criança.

• Disciplina e comportamento em casa - A forma como os pais interagem com a criança é um fator que determina o nível de gravidade dos problemas que a criança hiperativa possa ter em casa. É importante a observação da criança em diferentes ambientes, pois há uma probabilidade de que os sintomas da hiperatividade sejam indicadores de outras dificuldades que a criança possa ter.

• Comportamento em sala de aula - Nesse caso é importantíssima a percepção e observação do professor sobre a capacidade da criança seguir regras e limites e respeitar a autoridade na sala de aula. Há crianças que se tornam cada vez mais

desatentas e isoladas. Outras adotam um comportamento típico de oposição e de desafio, ou então, tornam palhaços da sala de aula. Cuidadosamente é necessário considerar tudo o que é observado, para verificar se os sintomas podem refletir algum outro tipo de distúrbio emocional, de aprendizagem ou clínico da criança.

• Consulta medica - Como já citado o diagnostico clínico é essencial no processo de avaliação da criança.

Para uma avaliação esses dados são importantes, são de diferentes áreas sendo possível chegar a uma conclusão, que deverá ser apresentada com cuidado aos pais, para que não se revoltem e deixem de entender qual a dificuldade que seu filho está passando e devem ser apresentadas informações para que os mesmos saibam trabalhar com o transtorno.

1.2 – As mudanças comportamentais em sala de aula

Em uma sala de aula com algum aluno que possua o TDAH, esse exige certa atenção do professor que freqüentemente acaba entrando em conflito com um aluno já que o ele não atinge o resultado esperado pelo professor.

A criança hiperativa se move na sala de aula todo o tempo mostrando uma variedade de comportamento, desatenção inquietamente em sua carteira podendo ser intitulada como desobediente. A desatenção pode degradar o desempenho acadêmico da criança, evidenciando por caligrafia desleixada, erros por desatenção e papéis enxovalhados (Edyleine, 2000, pág.46).

Isso passa aos outros alunos já que eles não fazem os seus deveres por estar com atenção voltada ao conflito entre professor e criança hiperativa.

Essas crianças muitas vezes mostram uma grande atuação em sala de aula, pois o fato delas não permanecerem por muito tempo “quieto” não significa que ela não tenha a capacidade de aprendizagem necessária, pelo contrario o pouco tempo que conseguem concentração aprendem o mesmo que as crianças normais.

Goldstein (1994) relata que o comportamento da criança hiperativa é desigual, imprevisível e não reativo as intervenções normais do professor. Poucos professores têm conhecimento sobre o TDAH, obtendo uma percepção errada sobre o mesmo.

1.3 – O relacionamento entre professor e criança hiperativa

O professor deve estar em sintonia com os pais para que possam orientar e trabalhar com a criança hiperativa, ele tem grande influencia sobre o sucesso escolar da criança hiperativa, ele não deve estabelecer o conflito entre professor e aluno. A criança é vista pelo professor com certo desinteresse ou apatia.

Abaixo segue uma lista de sugestões baseadas numa combinação de pesquisas cientificas, julgamento profissional e senso comum de como os professores devem ser (Goldstein, 1994, pág. 113).

O professor sabe sobre hiperatividade em criança e está disposto a reconhecer que este problema tem um impacto significativo sobre as crianças da classe.
O professor parece entender a diferente entre problemas resultantes de incompetência e problemas resultantes de desobediência.
O professor não emprega como primeira opção o reforço negativo ou a punição como meios para lhe dar com problemas e para motivar as crianças em sala de aula.
A sala de aula é organizada.
Existe um conjunto claro e consistente de regaras na classe. Exige-se que todos os alunos aprendam as regras.
As regras da sala de aula estão colocadas num cartaz colocado na sala apara que todos vejam.
Existe uma rotina consistente e previsível na sala de aula.
Um professor exige e segue restritamente as exigências especificas a comportamento e produtividade.
O trabalho escolar fornecido é compatível com o nível de capacidade das crianças.
Segundo Edyleine (pág. 49 – 2000) além da importância do estilo de interação que o professor estabelece com a criança e/ou adolescente, é essencial também que este tenha experiência, se recicle profissionalmente e que, também, adote uma filosofia (abordagem) sobre o processo educacional. Ter informações de como o professor lida com dificuldades de outras crianças, como encara o TDAH e se tem interesse em ajudá-las são questões que devem ser levantadas durante o processo de escolha do professor.

1.4 – A escola adequada

Deve-se ter conhecimento se a escola é apropriada para receber um aluno com o transtorno caso não seja possível a escolha, como em cidades pequenas, é necessários expor os problemas aos membros da mesma.

Abaixo alguns aspectos que devem ser analisados quanto a escolha da escola (Edyleine, 2000, pág. 48).

Deve discutir-se com a equipe escolar a respeito da noção que esta tem sobre TDAH, o que é como a escola faz para receber tais alunos.
Levar em conta o trabalho da classe. O tamanho ideal é aquele que comporta entre doze a quinze alunos. Questionar se os professores recebem treinamento e suporte extra de outros profissionais como pedagogos, psicopedagogos e/ou psicólogos.
Verificar qual a posição da escola a respeito de uso de medicação, que mecanismo a escola utiliza para sua administração, se acredita em seu benefício ou não
Verificar se a escola apresenta uma política para ações disciplinares. Quais os esforços que a escola poderá fazer para auxiliar a criança e não cometer erro e não apenas aplicar punições.
Verificar como se dá comunicação entre família e escola. Existe algum meio pela qual os professores podem advertir os pais diariamente quanto às principais dificuldades enfrentadas pela criança? Isto pode dar-se por meio de comentários no próprio caderno da criança, em uma agenda, ou, ainda, pessoalmente no final da aula. A comunicação entre família-escola é importante porque mantém pais e professores informados sobre o desempenho diário da criança.
Verificar se a escola é receptiva aos profissionais que acompanham a criança a fim de que possam juntos, discutir sobre o programa educacional e as possíveis recomendações. Se a escola e os professores mostram-se defensivos aos outros profissionais, deve procurar-se outra escola.
Deve questionar-se se há outras crianças na classe com outras dificuldades como as de aprendizagem, de comportamento ou emocionais. Se a classe tiver mais do que duas ou três crianças com problemas, deve solicitar-se outra classe, ou, ainda, outra escola.
Sem duvida a melhor escola é aquela que tenha total interação com o transtorno e que ofereça professores capacitados a ensinar e saber trabalhar com crianças hiperativas.

Justificativa

Escolhi esse tema por se tratar de um assunto que ainda assusta muito profissional da educação, porém não só a eles e sim aos pais de crianças hiperativas que se preocupam com a educação de seus filhos e pais de outras crianças que muitas vezes por não conhecer o que se trata o problema pensam que as crianças com transtornos poderão prejudicar seus filhos.

Procurei informações de como identificar uma criança hiperativa e os diagnósticos para a causa, é necessário saber como lidar com elas impondo limites, porém respeitando-as e ensinando elas a superar obstáculos que irão surgir.

Objetivo

O objetivo desse projeto é de obter orientações de como relacionar com crianças que possuem o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em sala de aula, onde muitos professores têm certa dificuldade em diferenciar um aluno bagunceiro a um hiperativo.

O TDAH é um grande desafio para pais e professores; os pais não sabem como cuidar e que postura tomar dos problemas que surgem com o transtorno. Professores sem informação sobre o assunto ficam na mesma situação e muitas vezes não sabem o que fazer e que atitudes tomar.

A Hiperatividade é um assunto de difícil entendimento, pois há poucos livros relacionados; obtive grande dificuldade, pois os livros que existem geralmente são relacionados à área da psicologia e não da educação. Os professores possuem falta de informação sobre o transtorno e acabam rotulando as crianças hiperativas como bagunceiras, sem saber diferenciar.

Pretendo com esse projeto esclarecer e auxiliar pais e professores que ainda tem duvida sobre o transtorno.

Hipóteses

Penso que se o educador possui conhecimento sobre o transtorno ele poderia trabalhar melhor em sala de aula com os alunos, poderia conciliar os alunos normais com os hiperativos. Esses deviriam ser instruído sobre o transtorno durante o seu estudo, pois ao chegar à sala já saberiam como trabalhar.

Metodologia

O método utilizado para conclusão deste projeto foi o de Revisão Bibliográfica utilizando obras de autoras Norma Seltzer Goldstein, Michael Godstein e Edyleine Bellini Peroni Benczik que enfocam problemas e soluções dobre o TDAH.

Busquei informações necessárias para compreender os diferentes aspectos da hiperatividade, tais como comportamento e relacionamento do individuo hiperativo.

Referências bibliográficas

BENCZIK, Edyline Bellini Peroni. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: atualização diagnóstica e terapêutica: característica, avaliação, diagnóstico e tratamento: um guia de orientação para profissionais. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

GOLDSTEIN, S. e GOLDSTEIN, M. Hiperatividade: Como Desenvolver a Capacidade de Atenção da Criança. Campinas, SP: Papirus, 1994, 3 edição. (Série Educação Especial).

FUZINELLI, Regina de Cássia. Conhecendo a Hiperatividade . FCL; Araraquara, 1999

* Transtorno de oposição e desafio (TOD)


"É comum que crianças com Perturbação de hiperactividade e défice de atenção (PHDA) apresentem também outros problemas. As patologias que surgem habitualmente associadas à PHDA são os comportamentos de desafio e oposição, ansiedade, transtornos de conduta, tiques e perturbações do humor. Assim, os comportamentos de oposição constituem a maior percentagem de casos.

O que é e como se manifesta

O transtorno de oposição e desafio (TOD) pode ser definido como um padrão persistente de comportamentos negativistas, hostis, desafiadores e desobedientes observados nas interacções sociais da criança com adultos e figuras de autoridade de uma forma geral, sejam pais, tios, avós ou professores. As crianças com TOD facilmente perdem a paciência, discutem com os adultos, desafiam e recusam obedecer a solicitações ou regras, incomodam deliberadamente os outros, não assumem os seus erros e estão quase sempre irritadas. Devido aos sintomas mencionados, existe nestas crianças ou adolescentes um prejuízo significativo no funcionamento social e académico. Estão constantemente envolvidas em discussões e são muitas vezes rejeitadas pelos colegas de escola, o que lhes traz problemas ao nível da auto-estima. Os sintomas iniciam-se antes dos oito anos de idade e esta perturbação apresenta-se, em número significativo de casos, como um precursor do transtorno de conduta, forma mais grave de perturbação disruptiva do comportamento.

A importância das regras

Russell Barkley, um dos mais conceituados especialistas na área da hiperactividade, considera que o comportamento de oposição se encontra associado ao transtorno de hiperactividade, sendo este o responsável pelas dificuldades da criança na regulação das emoções. Por outro lado, as famílias de hiperactivos parecem ter elas próprias dificuldade em gerir as emoções, pelo que não conseguem ensinar ás crianças como fazê-lo adequadamente. Estas crianças precisam, então, de ser educadas com alguma firmeza, temperada de afecto. Segundo Barkley, sempre que os pais queiram dar uma ordem devem posicionar-se perto da criança, com voz firme, sem deixarem de ser amorosos, usando o verbo na forma imperativa. De preferência há que olhar directamente nos olhos da criança e, se houver resistência, socorrerem-se de uma discreta pressão física (segurar-lhe no braço, por exemplo). Há que evitar retardar ou desistir de uma ordem quando esta já foi proferida.

Um aspecto de enorme importância prende-se com a consistência entre o casal, ou seja, o pai e a mãe devem esforçar-se por ter a mesma atitude, caso contrário essa desarmonia será facilmente detectada pela criança e até usada para manipular os progenitores. Face a este quadro, torna-se muitas vezes necessário um acompanhamento psicológico. O psicólogo pode ajudar a criança a lidar com a frustração e a encontrar canais mais saudáveis de escoamento dos sentimentos de hostilidade, ao mesmo tempo que se torna necessário ajudar os pais a lidar por essa difícil e desgastante tarefa.

O que os pais não devem fazer

O conhecimento de certas estratégias comportamentais pode ajudar muitos pais a corrigirem hábitos que, de uma maneira ou de outra, acabam por contribuir para o aumento da tensão familiar. Vamos referir alguns aspectos que devem ser evitados porque estimulam a desobediência.

• Dar ordens á distância - Falar de um quarto para o outro (onde está a criança) é algo completamente ineficaz pois ela irá manter-se desatenta e sem cumprir a ordem. As ordens têm de ser dadas presencialmente, assegurando-se que ela as compreendeu.

• Dar ordens vagas - Pedir á criança que se comporte "como um bom menino" não clarifica o que se espera e o que não se espera que ela faça. Há que ser o mais concreto possível!

• Dar ordens complexas - Havendo de antemão dificuldade em fixar na memória de curto prazo as actividades a fazer, solicitar a execução de várias tarefas só servirá para tornar a sua realização menos provável.

• Dar ordens com antecedência - Ordenar a uma criança com TOD que, quando acabar de brincar, tem de arrumar os brinquedos, só serve para interromper o prazer que ela está a ter, já que as ordens serão esquecidas.

• Dar ordens acompanhadas de muitas explicações - Muitos pais, de modo a evitar parecer autoritários, perdem-se em argumentações sobre as necessidades do cumprimento das ordens. Como a criança náo consegue estar atenta durante muito tempo, é bastante provável que no final da explanação do progenitor ela já não se lembre da maior parte do que foi dito.

• Dar ordens sob a forma de pergunta - Perguntar "podes ir agora fazer os trabalhos de casa ?" deixa um espaço livre para que a criança diga que não. As ordens devem ser claras e assertivas.

• Dar ordens em tom ameaçador - É frequente que, antevendo a batalha que vai ser travada após uma solicitação, os pais dêem a ordem já em tom de ameaça, como se a recusa já tivesse ocorrido. Assim, a criança vai tender a imitar o progenitor e a reagir no mesmo tom, uma vez que o clima de hostilidade já está instalado."

Fonte: Hiperatividade Phda em Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (Facebook)http://psicopedagogia-em.blogspot.com.br/2012/03/transtorno-de-oposicao-e-desafio-tod.html